Coroas
Statement
Na série “Coroas”, um dos capítulos que integra o projeto Sizígia, proponho um encontro entre técnica e poética através da fotografia aérea em áreas da Baía de Todos-os-Santos, região litorânea da Bahia marcada por muitos atravessamentos culturais e históricos. Sizígias são instantes de conexão em que mar, solo e rios constroem novas geografias, ou mesmo onde o tempo-espaço reage ao movimento do cosmos para produzir relevos e mapas. São nas Sizígias em que a paisagem se transmuta nos permitindo perceber o cotidiano e sua constante capacidade de criação.
No capítulo “Coroas” o que esse jogo de abstração nos revela é a presença de uma sofisticada tecnologia de pesca produzida por grupos tradicionais de trabalhadores do mar.
Conhecidos como “Pesqueiros”, a engenharia dessas áreas se faz através do uso de conhecimentos ancestrais da pesca. Os círculos de madeira são estruturados pelo diálogo com as cheias e vazantes do mar e nos revelam a possibilidade de compreender a pesca não como um meio de exploração e extração dos recursos naturais, mas como forma de relação entre humanos e não humanos.
O que desejo com a construção dessas paisagens é intensificar a partir do imaginário o jogo de movimentos que o mar oportuniza às práticas humanas quando essas duas formas de vida passam a habitar o mesmo plano da experiência. Em seu limite radical, os “pesqueiros” nos permitem fabular outras saídas para os impasses colocados pelo presente quando discutimos as formas de saber, habitar e existir.























